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“Alô, Alô Marciano, aqui quem fala é da terra. Será?”

Se o Brasil pudesse escolher qual foi a década cultural mais criativa da sua história, com certeza ele escolheria a década de 60. Imagine você, em tempos de ditadura militar, censuras e atos institucionais dando plenos poderes ao governo, uma geração de artistas despontava entre milhares de jovens carentes de uma voz que pudesse dizer o que eles sentiam. Artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, Gal Costa, Jair Rodrigues, Geraldo Vandré, Nara Leão, entre muitos outros era a expressão máxima daquela juventude.

Naquela época o importante era a música. O júri não avaliava roupa, cabelo, cor da pele, desempenho e outras coisas mais. O que era defendido nos festivais era a composição dos artistas, muitas vezes composta por um e interpretada por outro. No segundo festival da música brasileira, em 1966, Chico Buarque e Nara Leão apresentaram “A Banda”, música que se tornaria um sucesso mundial. A Canção dividiu o primeiro lugar com outra canção histórica: “Disparada” (Geraldo Vandré e Théo de Barros) interpretada por Jair Rodrigues, Trio Maraiá e Trio Novo. Mas um ano antes, a cantora Elis Regina levou o primeiro lugar do “I Festival de Música Popular Brasileira” com a canção “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes). Dentre as 1.290 canções inscritas, 36 foram selecionadas para participar das três eliminatórias, 12 canções por noite. Elis venceu e o Brasil reconhecia ali uma das maiores cantoras da sua história.

40 anos depois muita água rolou embaixo da ponte, passamos pelos anos 70, 80 e 90 chegando aos novos tempos, onde a tecnologia tomou conta e mudou nossas vidas. A internet deu voz e espaço aos vários talentos do Brasil, isso era realmente bom. Apenas não sabíamos que a internet, com todo o seu poder, poderia criar referências musicais tão pobres e sem sentido.

Anitta foi uma dessas crias da internet, depois do “show das poderosas”, primeiro hit da cantora, ela conseguiu emplacar muitos outros, quebrando a expectativa de todos nós, achando que ela seria apenas mais um sucesso de verão. Com uma boa assessoria e pessoas profissionais tomando conta da carreira da cantora, Anitta explodiu, ultrapassou barreiras e chegou ao topo das paradas e programas de TV. Hoje ela é a cantora com maior evidência no Brasil, emplacando sucessos descartáveis e opiniões sem muito sentido. Nas entrevistas da cantora, não existe algo contestador ou inteligente. Anitta, diferente de Elis, é apenas um produto manipulado, produzido apenas para “sensualizar” e divertir a grande massa.

Suas canções não agregam, não marcam, não tem um sentido que possamos levar para os anos futuros. O que pensar dos versos “Eu rebolo, te enlouqueço. Bate palma que eu mereço. Quero ver se você vai aguentar. A noite inteira sem poder me tocar”. 

Logo penso nos versos que Elis cantou:

Não quero lhe falar meu grande amor. Das coisas que aprendi nos discos. Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Viver é melhor que sonhar, Eu sei que o amor é uma coisa boa. Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”

Outro nível.

Só de pensar que Elis foi considerada a maior cantora do seu tempo, penso o que essa geração vai escolher para representar no futuro os anos onde Anitta foi considerada o maior talento de uma geração.

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